sábado, 15 de dezembro de 2012

DISCURSO DE MARCOS MEIER COMO CIDADÃO HONORÁRIO DE CURITIBA.


Boa noite!
Quero iniciar minha fala cumprimentando a excelentíssima sra. Noêmia Rocha presidente desta mesa, o vereador Jair César proponente dessa titulação e a todas autoridades aqui presentes, já nomeadas.
Em especial agradeço a presença de todos vocês que vieram me honrar com sua companhia. Essa noite só é linda porque você está aqui.

Me orientaram a ser breve, e apesar disso ser uma tortura pra mim, vou ser. Vou fazer o máximo para cumprir o prazo. Escrevi esse discurso no dia 12 de 12 de 2012 e tem aproximadamente 12 minutos. E isso não tem nada a ver com o fim do mundo. (Coisas de matemático).

Vou contar-lhes uma pequena história vivida por meu avô, o vovô José, pai da Jane, minha mãe coruja que a vida toda me apoiou e torceu pelo meu sucesso como pessoa e como profissional. (Obrigado mãe).
Meu avô tocava violino na igreja luterana da cidade de Imbituva, interior do Paraná. Por mais de 30 anos nunca faltou a nenhum dos cultos e a nenhum dos ensaios. Para homenagear tal atitude e disposição, a comunidade da época resolveu presenteá-lo com um corte de terno. Era um presente caríssimo, de muito bom gosto e que, com certeza, seria recebido como honra pelo “seu José”. Mas a surpresa foi grande. No dia seguinte à homenagem, meu avô foi até a loja, pesquisou o preço, e na próxima reunião devolveu cada centavo à comunidade. Disse:

- Que esse dinheiro seja melhor usado para as crianças pobres ou para outras necessidades que a igreja possa ter. Não aceito essa recompensa, pois nunca toquei violino para vocês, foi para Deus. E se vocês me recompensarem agora, que recompensa terei eu no céu?

Agradeceu o carinho das pessoas, mas devolveu o presente. Não aceitou a honra.
Muitas pessoas não entenderam, algumas acharam que ele era um arrogante, um mal-agradecido. Outras compreenderam a profundidade do gesto. Nosso trabalho deve ser para Deus, para o bem comum, para a sociedade, para diminuir a miséria da existência humana e não para nossa honra ou nossa glória. Não para nós mesmos. Então, caros vereadores e cara plateia, quero lhes dizer que hoje, nesse momento especial em que desejam me outorgar o título de cidadão honorário de Curitiba, eu, lembrando do  meu avô, digo que: ... aceito de coração aberto e grato essa honra e que nem tudo o que nosso avô faz a gente tem que fazer igual. Não vou devolver esse presente, não!
Na verdade, o ensinamento que ele deixou eu tenho tentado seguir: fazer tudo como se fosse para Deus e não para nós mesmos.

Tenho em meu trabalho tentado simplificar os conceitos teóricos da educação e da psicologia para que pessoas de todas as formações e até aquelas que nenhuma formação têm, possam aprender e melhorar a interação com as crianças, com os estudantes, e uns com os outros. Não é tarefa fácil, mas faço com o coração feliz e realizado por saber que, como meu avô, posso trabalhar sem pensar na recompensa terrena, mas me alegrar com o crescimento das pessoas nas mais diferentes cidades de nosso país, especialmente em Curitiba.
Sou grato também a meu avô paterno que decidiu morar em Rolândia, onde nasci tempos depois. Ainda criança moramos em cidades do interior do Paraná como Japurá, Cianorte, São Tomé e Imbituva de onde saí com dez anos de idade para vir para a capital que me acolheu e me deu as oportunidades para meu crescimento profissional.

Agradeço a todas as pessoas que direta ou indiretamente me ajudaram, incentivaram e me apoiaram. Tive meus vales e montanhas, como a Gilgreice cantou e que mesmo neles a presença divina me confortava.

Iniciei como professor de Matemática e nas aulas da licenciatura perguntava:   “professor, por que os alunos amam matemática enquanto outros odeiam?”    E a resposta que ouvi foi: “amor e ódio é da psicologia, não da matemática”.
Fiz psicologia. Lá, os professores me diziam: “gostar de aprender matemática é do campo da educação, não da psicologia”.
Fiz mestrado em educação. Perguntei: “Por que alguns amam matemática e outros odeiam? Os professores de matemática disseram que a psicologia responderia, os psicólogos disseram que os educadores responderiam, então pergunto a vocês o porquê.”  Os professores do mestrado me disseram: “boa pergunta”! Tive que tirar minhas próprias conclusões. E uma delas é a de que o professor que sabe ser amigo, que exerce sua autoridade com acolhimento e justiça, que sabe rir dos próprios erros, e é bem humorado, que ama o que faz, esse ajuda o aluno a amar o que é ensinado. O mesmo acontece com os pais em relação a seus filhos. O contrário afasta.

Tenho tentado ajudar as pessoas a amarem o conhecimento, os princípios de educação, a respeitar a filosofia e a ética, a buscar a sabedoria. Tenho tentado ajuda-las a aprender a aprender. E quando não mais precisarem dos meus ensinamentos, é porque se tornaram autônomos, independentes e terei me tornado dispensável. Quando olho para meus filhos e vejo o quanto já não mais dependem de mim, o quanto pensam por suas próprias cabeças, fico feliz por ter cumprido meu papel. E mais feliz ainda por ver que tipo de homens e que tipo de mulher se tornaram. Martin e David, obrigado por terem feito minha vida de pai ter valido a pena. A Rebecca, que está longe, em trabalho social numa missão internacional, também me faz relembrar que pessoas valem mais que coisas, que a vida vale mais que dinheiro e que tudo isso pode sim ser colocado em prática como ela está fazendo.
Mas nem tudo é tão bonito e nem tudo é tão aparentemente perfeito. Sofri muito para acreditar que um dia eu pudesse ser alguém, que poderia ajudar outras pessoas ou que minha vida pudesse ser útil para quem quer que fosse. Na escola, antes do bullying ser conhecido por esse nome, eu era chamado diariamente de “pau de catar laranja, espanador de lua, urubu branco, perna de vela”  e mil outros xingamentos constantes que me traziam dor e ideias suicidas. A vida não tinha graça e era pesada demais para mim. Não é fácil ser adolescente, mas mais difícil ainda é ser adolescente muito alto, muito magro, muito branco e muito burro pra acreditar que isso fosse importante. Por sorte, eu tinha irmãos que me amavam, (Jeff, John, Audrey e Kennedy – como vocês podem ver, minha mãe gostava muito de ir ao cinema)  mãe, tia e avó que me bajulavam, me valorizavam e eu comecei a duvidar dos xingamentos. Comecei a acreditar que talvez eu pudesse dar certo na vida. Meu pai me falava: “você nunca vai me dar problema na escola, vai passar direto, dá pra ver”. E eu acreditei.
Nos últimos anos tive ajuda de algumas pessoas especiais a quem também sou grato como a Márcia Macionk e David Sasson que me abriram as portas para entender Feuerstein e a mediação da aprendizagem, o jornalista José Wille que me abriu as primeiras portas na mídia, a Adriana Karan do colégio OPET que me contratou pela primeira vez como professor, o Odilon Scroccaro que me contratou no colégio Santa Maria que investiu em minha formação profissional, a psicopedagoga Isabel Parolin que sabendo do meu dom para falar em público me apresentou ao Marcos Melo da Futuro Eventos onde estou até hoje palestrando. Há muitas outras pessoas que direta ou indiretamente foram importantes para mim, mas que não tenho tempo para nomeá-las agora. Mesmo assim, sou grato a elas.
Hoje estou aqui com uma carga enorme de histórias de sucesso, de fracasso, de alegrias, de tristezas e de realizações. E quando eu estava sobrecarregado, caminhando para uma estagnação pessoal, imerso numa solidão profunda que a vida me trouxe, veio a Jeanine Rolim, hoje minha noiva, e ficou ao meu lado. Ela me reapresentou para o Marcos neto do vovô José, filho da dona Jane, pai do Martin, da Rebecca e do David. Reapresentou-me para mim mesmo e me fez relembrar que posso me realizar sem culpa em aparecer na TV ou no rádio para ensinar sem medo de parecer orgulhoso, arrogante ou prepotente, pois sei que a honra e a glória não são méritos meus, são de Jesus. E que reconhecer que sou importante na vida das pessoas não é ser metido, estrela ou celebridade, é cumprir a missão para a qual todos nós viemos. E por isso posso dizer do fundo do meu coração:
Curitiba, obrigado pelo carinho de me adotar como um de seus filhos e a todos vocês, do fundo do meu coração, muito obrigado!

Discurso de Marcos Meier na sessão especial da Câmara dos vereadores de Curitiba para outorga do título de cidadão honorário no dia 13 de dezembro de 2012, às 20h00 nas dependências da própria instituição.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

COMO FAZER CRIANÇA COMER VERDURAS

video

Marcos Meier em sua coluna semanal "A arte de educar" no jornal Bom dia Paraná da RPC-TV afiliada da rede Globo. O tema é "como fazer seu filho comer verduras". Dar chocolate como prêmio resolve? Como comer frutas? O que é um prato saudável? Tem que obrigar a criança a comer?  Contatos pelo site www.marcosmeier.com.br

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Vovós plantam maconha:


Colheita da morte.

E disse o New York Times[1]: vovós colhem a maconha que plantam. Na Suazilândia, vizinha da África do Sul, as vovós estão numa situação amaldiçoada: seus filhos estão morrendo por causa da AIDS e deixam pra trás uma gigantesca prole de netinhos famintos.
Plantai repolho ou milho, frutos da terra que recebestes como herança. Impossível, os babuínos roubam tudo. Como os macacos não fumam, o jeito é plantar a erva. E a erva será trocada por comida. E a polícia lhes será problema. Ela não quer saber das oito boquinhas resultantes do inevitável “crescei e multiplicai-vos”. Vovós não comem marijuana, precisam vende-la.
Os netinhos não sabem o que fazer. Não entendem porque suas vovós precisam plantar escondido em clareiras no meio do mato e porque a polícia não lhes dá comida, apenas tocam fogo no que a vovó, com o suor do seu rosto, plantou.
Dona Makhazin tem oito barriguinhas para dar-lhes do fruto da terra. Esperava poder descansar e ser cuidada pelos filhos que honrariam pai e mãe.
Mas o anjo da morte não colhe repolhos nem milho nem maconha. Colhe jovens casais portadores do HIV. Levou suas duas filhas e seus dois genros. Não as crianças, pois ainda não se contaminaram pelo fruto do pecado. Nem a vovó que há tempos não morde mais a maçã.
A polícia já profetizou: da próxima vez que tiver que queimar uma plantação, a levará para a cadeia. Dona Makhazin deseja levar os oito esqueléticos com ela. Talvez na cadeia haja luz, pão e água.
Mas a polícia não recolhe famintos. Nem vovós de bom coração. Nem dá a outra face. Ela quer os traficantes, os atravessadores. E vai voltar de surpresa.
A senhora de cabelos brancos mudou-se para mais longe, onde a polícia não sabe chegar. Nem os repolhos, nem o milho. Só chega a vontade de escapar da colheita da foice negra.
E a vovó começa a plantar. No meio do mundo. No meio de uma clareira. No meio do pó. No meio do nada.

Marcos Meier é psicólogo, escritor e palestrante. Contatos pelo site www.marcosmeier.com.br  Seus livros se encontram no site:  www.kapok.com.br


[1] Notícia reproduzida no Jornal Diário do Comércio, pág. 11. De 28 de agosto de 2012.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Pare de tentar agradar ao mundo todo!



Texto extraído do livro "Peixe Boi" de minha autoria, disponível no site www.kapok.com.br

terça-feira, 10 de julho de 2012

Estética do Absurdo





Estética do absurdo.
(Jeanine Rolim)

Ontem soube de mais uma pessoa que perdeu a vida em meio a uma cirurgia estética. Procuro não ser radical em nenhuma questão da vida, mas confesso que essa é uma daquelas que me aflora a mais visceral indignação. 

A tormenta que nos acomete diariamente nas propagandas de Tv, nas páginas de revistas , sites e redes sociais faz com que nos sintamos sempre aquém do que  verdadeiramente somos, menos do que sonhamos e tudo mais de menos que alguém possa sentir.

Gorda demais, baixa demais, alta demais, bochechuda demais, cabelo crespo (ou liso) demais, seio pequeno demais e por aí vai. Em 30 segundos vamos de um estágio de normalidade psíquica à insanidade da estética do absurdo. Nada mais está bom. Precisamos mudar!

Há pouco, pra fechar o dia, li um post de um renomado jornal brasileiro no qual a foto do ator Reinaldo Gianecchini tinha como legenda a seguinte frase “Gianecchini exibe o novo visual após a quimioterapia. Aprovam?”  Seria eu a única indignada com a manipulação midiática e seu bullying coletivo ou isso é realmente desprezível?? O cara supera um câncer, está ainda em tratamento e os veículos de comunicação nacional gastam seu espaço e tempo para perguntar se ele está “gato”?! Algum ser humano desse planeta insignificante tem que aprovar? E cá entre nós,  confesso que na minha opinião ele está ainda mais lindo com aqueles cabelinhos grisalhos, mas o que importa isso diante do milagre da vida, do desafio de seguir respirando a cada manhã, da esperança em prosseguir? Meu Deus, temos colocado por prioridade o formato dessa massa perecível que carregamos entre nossos ossos que ao pó retornará... É isso mesmo?? Quanta tolice!!

A pessoa que morreu era uma jovem que tentava reduzir o peso antes de uma primeira gestação, recém-casada, bonita, cheia de vida. Fácil julgá-la, difícil mesmo é pararmos de aceitar a “idiotização” coletiva transmitida em canais abertos e fechados. 

Popozudas das coxas mais duras que  mármore, seios mais inflados que balão de festa infantil, “bocas de bagre” e rostos engessados que nunca deixam claro estar rindo ou chorando. Todo mundo igual, padronizado, “coisificado”. Até quando acharemos isso normal??

Há um ditado indiano que diz: “Ao final da partida de xadrez o rei e o peão vão para a mesma caixa”, a questão é como viveram durante “a partida”, o que lhes foi mais importante. Vale refletir, não?

quarta-feira, 27 de junho de 2012

A feminilização do ambiente da pré-escola


A feminilização do ambiente da pré-escola

MEIER, Marcos. "A feminilização do ambiente da pré-escola." Revista Profissão Mestre. n. 52, janeiro, 2004, p.12-14.


Mochila completa, tênis amarrado, uniforme colorido, lancheira na mão. O menino animado, sorridente, brinca com os objetos como se fossem caminhões encantados que carregam “seu mundo”: desde areia – agora proibida para não sujar sua roupa – aos heróis invisíveis que mudam de poderes tanto quanto mudam os objetos à frente. O homem-aranha, o super-homem, o super-sei-lá-o-quê são invocados e despachados conforme a necessidade, conforme a imaginação. O trator, pequeno demais para carregar qualquer coisa maior que uma moeda, é o mais poderoso e mágico ser fantástico nesse universo das coisas que aparecem e desaparecem, guerreiam e caminham juntas. A "Ferrari", materialização do sonho do pai, corre mais rápido que o X-Man. Mas é hora de sair do colorido do seu mundo de encantos para entrar no carro e partir para o seu primeiro dia de aula. Alguns brinquedos, heroicamente, conseguem permanecer ao seu lado enquanto o motor é acionado.
Do outro lado, sorrisos maternos (às vezes paternos) tentam em vão esconder a dor de perceber que o filho será cuidado por outras mãos, talvez não tão carinhosas, talvez não tão compreensivas. A lembrança das notícias dos telejornais da noite cuidam de incrementar o sofrimento.
Fica comigo...
Em meio a todos esses sentimentos conflitantes e a correria dos compromissos profissionais suspensos por uma longa e angustiante hora, a dupla sai de casa. Logo chegam à escola e as dúvidas insistem em ressurgir: elas, as professoras, se aproximam. Orientam a mãe quanto ao número da sala. Sorriem para o menino, perguntam seu nome, fazem-lhe carinhos. Tornam o ambiente acolhedor. Os medos da mãe se abrandam por seu filho, mas não desaparecem, pois observa outras crianças que choram, que esperneiam. Algumas correm para o parquinho, parece que já conhecem os melhores lugares, são "antigos" na casa.
O menino, com olhar triste, diz: "mãe, fica comigo". Ela, por um instante, recebe dos céus a recompensa por anos de atenção, carinho, brigas, choros, sorrisos e sonhos. Não há nada no mundo mais significativo que esse olhar inocente cheio de dengos e de pequenos medos. O tempo parece parar. Ele a ama. A mãe, com um sorriso, diz que depois voltará para buscá-lo e que ele precisa ficar ali, pois as professoras são muito legais e há muitas crianças para brincar. Dos dois lados, lágrimas. As dela, contidas por enquanto.

Os super-heróis e a Ferrari precisam ficar em casa?
Depois de alguns dias e choros, o menino já está acostumado com o novo ambiente. Corre para o parquinho. Esquece de dizer "tchau" à mãe. Tudo parece ter entrado em seus eixos como a vida deve ser. No entanto, algumas coisas ocultas jamais serão notadas. Não há na parede da sala nenhum trator. Algumas identificações com suas fantasias, brincadeiras e sonhos ficaram de lado. Os super-heróis ficaram em casa. Os incríveis poderes de aparecer e desaparecer, de voar, carregar e de erguer estão no quarto. Talvez estejam na sala de estar enquanto a mãe não tropeçar neles e os levar para a caixa dos brinquedos.
A escola não parece ser lugar para essas coisas "tão violentas". Nas paredes das salas e dos corredores, com pequenas imperfeições na perspectiva dos desenhos, está o incrível mundo maravilhoso do açúcar cor-de-rosa. Tudo parece adocicado. Nuvens branquinhas sorrindo. Fadas voando com suas asinhas transparentes. Ursinhos de pelúcia e seus intermináveis sorrisinhos fofinhos. Uma infinidade de outros diminutivos. A doçura do acolhimento. A Ferrari, bem, o Rubinho que me perdoe, mas a Ferrari aqui na escola, nem em segundo lugar. Essa escola é das mulheres. A professora, a faxineira, a cantineira, a inspetora, a professora auxiliar, a de Artes, a de Música, a de Inglês, aquela outra mulher que cuida de não sei bem o quê. Todas mulheres. Quando um homem surge, é porque vem buscar alguma coisa, carregar alguma caixa. Trazer uma TV. Os olhares de todos os cantos o constrangem. Precisa sair logo, é quase um invasor.

O despertar dos símbolos e a reflexão
Esse relato não é uma crítica, não é símbolo de nenhuma bandeira, de nenhum movimento. Não é o retrato de todas as escolas. Não serve para algumas pré-escolas das nossas cidades. É tão somente um convite à reflexão. Um despertar para que se acolham pequenos símbolos, pequenos detalhes que, com muito bom senso, possam representar ou servir de objetos de identificação da masculinidade dos pequenos "rubinhos" e dos pequenos "super-eu-consigo" e dos "X-sou-bom".
A escola pode e deve acolher a masculinidade e a feminilidade presentes em todas as crianças, considerar, incentivar e despertar as diferenças. Pode e deve ressaltar o quanto são complementares, jamais excludentes. Deve criar um ambiente para permitir que, em cada criança, possa haver um equilíbrio maior entre as características humanas presentes neles e nelas, do acolher e do brigar, do empurrar e do abraçar, do lutar e do unir-se. Pois não são características pertencentes ao homem ou a mulher, mas a todo ser humano, homem e mulher, que incansavelmente precisam ser e estar no mundo e, de preferência, harmoniosamente juntos. São representações da busca pelo novo, da ousadia, do saber impor-se e do saber dizer não quando se quer dizer não, saber dizer sim quando realmente for a melhor resposta. Tais posturas frente ao mundo são frutos não do masculino ou do feminino, mas do equilíbrio entre eles. E são fundamentalmente necessários para futuros homens e mulheres conscientes de seus papéis na sociedade.
— Pai, na minha sala tem um tratorzão gigantão maior que esse daqui ó....
— Uau! que legal né, meu filho?
— É. Minha escola é bem legal.
E a convivência harmoniosa do “mundo feminino” com o “mundo masculino”, possivelmente um e outro estereotipados num primeiro momento, servirá de solo fértil para o crescimento da convivência, da tolerância, do respeito e, principalmente, do aceitar-se e completar-se mutuamente.

O exercício das trocas entre meninos e meninas
Mais tarde, homens e mulheres saberão respeitar os espaços e idiossincrasias de cada um, pois terão aprendido, desde muito cedo, que podem conviver em harmonia. Cada um saberá, com melhor propriedade, considerar internamente suas forças de ataque e de defesa, de acolhimento e de afastamento, de aceitar e rejeitar, e, principalmente, de ser íntegro, completo. Pois meninos e meninas carregam em si o masculino e o feminino que só se desenvolvem completa e saudavelmente no exercício das trocas. Muito provavelmente esse crescimento não será mérito da escola, mas, certamente, terá ocorrido com sua contribuição.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Peso ou enfeite?


Peso ou enfeite?




O sujeito era um famoso engenheiro civil, bem sucedido. Proprietário de uma construtora. Gostava de valorizar pessoas trabalhadoras. Tinha muitos amigos importantes: políticos, empresários e um pedreiro. Isso mesmo: um pedreiro. O pedreiro era uma pessoa simples, de bom coração e muito eficaz na arte de assentar tijolos. Às vezes, passavam algum tempo juntos após o horário, conversando sobre a vida e sobre detalhes dos acabamentos. Gostavam de ir a uma lanchonete na esquina, próxima à construtora para tomar um café e ficavam ali trocando ideias. 
Certo dia o pedreiro trouxe uma notícia que iria mudar para sempre a situação patrão-empregado. Ele abrira sua própria empresa de reformas e não trabalharia mais naquela construtora. A notícia foi triste por um lado, mas muito boa por outro, pois o engenheiro ficava feliz em perceber o sucesso e o crescimento de seu amigo. No dia da despedida, foi organizada uma pequena cerimônia, um coquetel para que a construtora pudesse homenagear seu funcionário que durante tanto tempo havia investido seu trabalho nas obras e o fizera com tanta presteza. Nesse momento, o pedreiro buscou sua “colher-de-pedreiro”, lavou-a e disse a todos: “Quero dar essa colher ao meu melhor amigo, ela foi do meu pai, o cabo foi feito com a madeira de uma laranjeira que ficava no fundo da minha casa. Ela é especial para mim. Todas vezes que eu a uso, lembro de papai, da minha infância, dos meus irmãos correndo no quintal em volta da laranjeira”. E entregou-a ao engenheiro. Emocionado, o engenheiro agradeceu e disse a todos que faria um gesto igual. Foi até o carro e trouxe sua calculadora ultramoderna presenteando-a ao pedreiro dizendo: “agora que você vai ser empresário, vai precisar calcular seus lucros, que espero que sejam muito grandes”. Despediram-se com um abraço. Teriam chorado, mas o ambiente não facilitava. Tempos depois, o engenheiro foi visitar a empresa de reformas de seu amigo pedreiro e viu a calculadora sendo utilizada como peso para papéis. Ele riu e falou: “você usa a melhor calculadora do mercado como peso de papéis?” Era realmente estranha a situação. Um objeto da alta tecnologia sendo utilizado apenas como peso. O pedreiro, com ar de quem estava envergonhado, disse: “me perdoe, amigo, mas não tenho tantas contar para fazer e quando preciso, uma calculadora simples dá conta do recado. Essa que você me deu é fantástica, mas pra mim que sou simples, é muito complicada. O engenheiro riu quando lembrou que a colher que ele próprio havia recebido tinha sido lixada, pintada e servia como enfeite em uma prateleira em seu escritório. Nenhum dos dois objetos estava sendo utilizado em suas funções originais. Não haviam sido fabricados para o que estavam “fazendo” atualmente. Perderam o valor inicial, não serviam para mais nada além de “peso” ou de “enfeite”. Por mais que o pedreiro diga que a calculadora está sendo útil, ela não está sendo usada como calculadora, apenas como peso. Mesmo que o engenheiro afirme que o destino da colher é nobre, ela não está sendo útil como colher.
Essa história me faz pensar na minha função como professor. Qual é realmente nossa função? Antigamente era ensinar. Hoje sabemos que não basta. A real função de um professor, a única forma de ser útil e de se realizar como profissional é fazer aprender. Se um professor não faz aprender, serve apenas como peso, talvez um peso na vida de seus alunos. Se um professor não promove a aprendizagem, talvez esteja sendo apenas enfeite. Pode até ocupar espaço na escola, na sala de aula, ou na vida de seus alunos... mas de nada serve. Não há boa intenção nem bom coração que possam superar o sentimento de realização de sermos o que realmente somos: provocadores da aprendizagem. Isso nos realiza.

Marcos Meier é professor, psicólogo, escritor e palestrante. Suas obras se encontram na loja virtual www.kapok.com.br  

quinta-feira, 7 de junho de 2012

IRMÃOS QUE BRIGAM TODOS OS DIAS

Seus filhos vivem brigando? Talvez o problema esteja na forma como estão sendo educados. Crianças que recebem tratamento muito igual, são amadas de forma igual, acabam se sentindo iguais, o que gera a necessidade de competir para ver quem consegue receber algo dos pais "a mais" que o irmão. Para resolver o problema, é preciso que cada criança receba tratamento diferenciado, de acordo com a idade e a personalidade de cada um. Além disso, tenha momentos de intimidade com cada um de seus filhos. Um passeio, uma programação só você e um dos seus filhos. Numa outra vez vai o outro filho, mas num programa diferente que não dê nem pra comparar. Nesse dia, fale para seu filho o quanto você o ama. Mais tarde, cada um deles saberá e sentirá que é amado e a competição perde o sentido.
Marcos Meier  - seus livros estão na loja virtual kapok.

http://g1.globo.com/videos/parana/bom-dia-pr/t/edicoes/v/marcos-meier-fala-sobre-irmaos-que-brigam-demais/1980104/

terça-feira, 29 de maio de 2012

CHEGA DE PRAZER



Tem muita gente divulgando a máxima: “seu trabalho
tem que lhe dar prazer”. “Estudar tem que
dar prazer”. Fale isso pra zeladora de banheiros
de um hospital público. Imagine a cena: “tia, você
tem que ter prazer no seu trabalho”. E ela respondendo:
“hummm, quando? Na hora que tô limpando
cocô do vaso ou quando limpo o xixi do chão?”.
No entanto, essa senhora pode realizar suas tarefas
com excelência e sentir-se feliz por diminuir o risco
de contaminação hospitalar. Ela se sente realizada
por saber que seu trabalho contribui para um bem
maior. Nossa busca deve ser sempre pela realização
profissional e pessoal e não pelo frágil objetivo:
“prazer”. Estudar e aprender coisas novas pode dar
muito prazer, mas na maior parte do tempo é só
esforço, trabalho. As tarefas diárias em casa ou na
empresa podem ter o mesmo objetivo: realização
profissional, e de vez em quando, dão um prazer
danado! De vez em quando.

Texto extraído do livro: "Peixe boi"
http://www.kapok.com.br/produtos_desc.php?id=TVRBNE9BPT0=&idCat=

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Book: "MEDIAÇÃO DA APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO ESPECIAL"

Mediação da aprendizagem na educação especial - Marcos Meier e Gislaine Budel
Esse livro é para todo professor que tem ou terá um aluno especial em sala de aula. (Aluno com deficiência). O que fazer com ele? Como interagir de forma que ele aprenda cada vez mais? O que fazer com os outros alunos? O que diz a lei? Nãotenho formação para lidar com alunos de inclusão, o que posso fazer?
Essas e outras perguntas são respondidas no livro. Compre e dê de presente para um professor.
http://www.kapok.com.br/produtos_desc.php?id=TVRFNE1nPT0%3D&idCat


segunda-feira, 21 de maio de 2012

CRITIQUE DO JEITO CERTO


CRITIQUE DO JEITO CERTO


Muitas crianças choram escondidas, têm medo de fazer amigos, evitam situações novas e preferem o isolamento. São crianças cuja autoestima está baixa, não confiam nelas próprias e não têm grandes expectativas em relação ao futuro. Possivelmente já receberam muitas críticas ácidas, comentários depreciativos e broncas em público. Foram diariamente desqualificadas. Falta-lhes até mesmo alegria para viver.
Para compreender melhor como evitar que isso aconteça, precisamos conhecer como a autoestima saudável é construída.
A autoestima saudável é fruto de elogios adequados baseados em fatos reais e motivados pelo afeto. Entretanto, é fácil cair no extremo oposto: crianças que só recebem elogios e jamais são criticadas não suportam a dor da perda, não têm maturidade para corrigir os próprios erros e se tornam chantagistas emocionais: vivem fazendo birra para ganhar mais atenção, carinho e novos elogios. Quando adultas, a convivência com elas torna-se insuportável.
Se só elogiar não dá certo então como criticar da forma correta?
A resposta é simples e direta: criticando assertivamente.
Uma crítica assertiva ataca o problema, jamais a criança. Aponta para o erro, não para a pessoa. É objetiva, nunca subjetiva. Vamos aos exemplos:
Nunca diga: “Você é um relaxado, olhe só que sujeira esse quarto”. Diga: “Que nojo esse quarto, que bagunça, olhe só quanta sujeira. Pode começar a arrumá-lo”.
Jeito errado: “Filho, você é um irresponsável, novamente não deu comida para o cachorro”. Jeito certo: “Filho, você não deu comida para o cachorro de novo!”
Evite: “Seu vagabundo, vai logo fazer a lição de casa e as tarefas que te mandei.” Prefira: “Faça já a lição de casa e as tarefas que te mandei.”
Nos três casos, o ataque à criança por meio de xingamentos (relaxado, irresponsável, vagabundo) foi eliminado e a crítica foi dirigida diretamente ao problema. Esse é o segredo. Agindo dessa forma, a criança pode consertar o erro e até receber elogios por ter feito o que fora solicitado. Se, por outro lado, ela tivesse sido humilhada, mesmo que fizesse suas tarefas ou consertasse seus erros, sua condição de humilhação não mudaria, ela não conseguiria deixar de ser relaxada, irresponsável ou portadora de qualquer outro adjetivo que a desqualifique, já que isso não depende de suas atitudes, mas da opinião da outra pessoa.
Além da assertividade, há outra orientação que você deve levar em conta: críticas devem ser feitas em particular, jamais em público. Nada de falar dos erros de seu filho na frente das visitas, da avó ou dos colegas dele. A publicação de críticas promove uma falsa sensação de poder, já que tantas pessoas estão se envolvendo na situação. Isso incentiva a repetição do problema. Uma crítica assertiva e em particular abre espaço para o pedido de desculpas e para a afirmação mútua de afeto.
Critique do jeito certo e as crianças terão muito mais chances de crescer com maturidade emocional e alegria de viver.

Marcos Meier é escritor, psicólogo e mestre em educação. Contatos pelo site www.marcosmeier.com.br    Seus livros estão à venda na loja: www.kapok.com.br 

Uso da tecnologia em sala de aula: nem sempre é útil!

O professor Marcos Meier em uma entrevista para a TV Brasil, em São Paulo, comenta sobre o uso de softwares em sala de aula e como interferem na educação.
Assista à entrevista, entre no site da emissora pelo link abaixo e deixe lá seu comentário!
http://tvbrasil.ebc.com.br/reporterbrasil/video/27578/
Os livros do prof. Marcos estão a venda em: http://www.kapok.com.br/vitrine.php?Cat=TVRFPQ==&Ses=TmpFPQ==

sábado, 19 de maio de 2012

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Nada de mãe tigre!

Não concordo com a metodologia da mãe tigre. Ou seja, não concordo com o excesso de exigências e cobranças em relação ao desempenho das crianças na escola!


Livros do prof Marcos no site:  www.kapok.com.br

sábado, 5 de maio de 2012

MEDIAÇÃO DA APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO ESPECIAL


Editora Ibpex lançou livro de Marcos Meier e Gislaine Budel sobre educação especial



O evento aconteceu no dia 03 de maio de 2012 nas Livrarias Curitiba Megastore do ParkShopping Barigui, em Curitiba. 

Apesar de ser obrigatória no Brasil, a inclusão escolar ainda enfrenta muitas barreiras para acontecer de fato. Uma das principais dificuldades dos professores é a falta de conhecimento sobre o assunto e de elementos que os ajudem a realizar essa tarefa na prática, já que até mesmo as literaturas sobre essa questão são escassas.

Pensando nisso, a Editora Ibpex convidou dois dos principais estudiosos do tema para elaborar uma obra sobre a mediação da aprendizagem do aluno com necessidades especiais. Nasce daí a obra Mediação da Aprendizagem na Educação Especial, com autoria de Gislaine Coimbra Budel e Marcos Meier.

Marcos Meier é mestre em educação, psicólogo, professor de matemática, escritor, palestrante, e uma das maiores autoridades nacionais na teoria da mediação de Feuerstein.

Gislaine Coimbra é escritora, pedagoga, palestrante e referência nacional no trabalho com crianças com deficiência, pois atua junto a esse público há mais de 25 anos. Além da vasta experiência, Gislaine também tem se especializado nos conceitos feuerstenianos sobre como interagir para potencializar a aprendizagem.

A ideia central da Teoria de Reuven Feuerstein é a de que todo ser humano é modificável, desde que exista no ambiente de aprendizagem um mediador, ou seja, uma pessoa que interaja com o aprendiz, estimulando suas funções cognitivas, e, consequentemente, o desenvolvimento da inteligência, envolvendo todos os processos de aprendizagem.

A proposta da obra é, justamente com base na teoria da mediação da aprendizagem de Feuerstein, auxiliar o professor de alunos com dificuldades a melhorar as suas práticas em sala de aula e aumentar a aprendizagem desses alunos.

FAQ
Ao final do livro, os autores montaram uma espécie de FAQ com as principais queixas dos professores sobre as dificuldades que os alunos apresentam para aprender o conteúdo em sala de aula.  Entre outros itens, existem sugestões para trabalhar com alunos que aprendem o conteúdo na hora, mas em seguida esquecem. Também existem informações sobre como ensinar o aluno com ou sem deficiência, além de questões sobre medicamentos e atendimentos especializados. 

Segue uma pequena declaração de apoio aos professores que está na página 32 do livro:

Desde já queremos afirmar que compreendemos as dificuldades que os professores passam em função da falta de apoio da sociedade e do Estado. Lutaremos sempre para que sejam valorizados, incentivados, mais bem remunerados e protegidos de tudo aquilo que possa tirar deles a vontade de transformar vidas.
Este livro é para você, professor, que recebeu um aluno com deficiência em sua sala de aula e quer fazer tudo o que estiver ao alcance para que ele seja incluído de verdade e possa aprender da melhor forma possível.
Esperamos de coração que a desvalorização da função docente seja superada em nosso país e que os responsáveis comecem a agir. Este livro é uma pequena contribuição para que a educação de alunos com deficiência seja levada mais a sério e possa trazer benefícios a toda a sociedade. A proposta principal é que os frutos da mediação da aprendizagem da teoria de Feuerstein sejam colhidos pelas crianças com deficiência tanto quanto pelas outras. Escrevemos esta obra na esperança de que possa ser útil a você, professor, que acredita no ser humano e na capacidade que este tem de se desenvolver.


Atenção: O livro terá um lançamento nacional na maior feira de educação da américa latina:
Educar Educador
16 a 19 de maio de 2012
A manhã de autógrafos será no dia 17 de maio das 10h15 às 12h00
e a tarde de autógrafos será no dia 18 de maio  das 16h15 às 18h00
http://www.futuroeventos.com.br/educar/

O livro fala sobre:
Feuerstein e a educação especial
Feuerstein e inclusão
Mediação da aprendizagem
Inclusão de alunos com deficiência
Inclusão de alunos especiais
Inclusão de crianças com deficiência
e uma série de outros temas relacionados.

sábado, 28 de abril de 2012

Dez dicas para melhorar sua vida.


Dez dicas para melhorar sua vida.
(Marcos Meier)

1 - Fale o que pensa atacando os problemas, não as pessoas.

2 - Fale o que sente. Sem culpar ninguém.

3 – Tenha um objetivo para o qual valha a pena investir tempo, trabalho, dedicação e energia. E faça isso acontecer.

4 - Tenha uma atividade física regular.

5 - Assuma a responsabilidade pelas escolhas, certas ou erradas.

6 - Perdoe-se pelas escolhas erradas e parabenize-se pelas certas.

7 - Entregue ao dono as "mochilas" que você carrega e que não são suas. Muitos dos pesos das nossas vidas são problemas que não são nossos. É saudável dizer: "Esse problema não é meu, é seu". Querer agradar sempre as pessoas nos faz "agradadores de gente", mas não nos faz "gente".

8 - Ídolos fazem a gente parar de agir e ficar admirando. Acredite mais em você e não nos outros. Não existe destino, existe escolha certa e escolha errada. Ou, só escolha, neutra.

9 - Ninguém tem a solução para seus problemas ou dificuldades, só você tem.

10 - Todos os dilemas têm uma saída positiva e uma negativa. Escolha a positiva e BATALHE pra que isso aconteça. Jogue fora o otimismo passivo, aquele que fica esperando que as coisas melhorem. Faça-as melhorar.

Marcos Meier é educador, psicólogo, escritor e palestrante. Seus livros podem ser encontrados no site da KAPOK   

sexta-feira, 20 de abril de 2012

E aí vai o Epa número 4. Aprender não é pecado hehe.

Segue o Epa número 3. Quem quiser melhorar, vai aprendendo...

terça-feira, 10 de abril de 2012


PROFESSORA, POSSO BRINCAR?

O menino de seis anos de idade diz à professora: “Professora, depois que eu terminar isso, posso brincar?” E recebe como resposta uma desculpa do tipo: “Não, meu querido. Aqui no primeiro ano, a gente só brinca no recreio.”
Fico imaginando a tristeza, o desânimo, a falta de vontade de continuar as “atividades escolares” propostas diariamente pelo currículo. Esse diálogo não aconteceu somente uma vez, nem com apenas uma criança. Ele é diário, no país todo. O que anda acontecendo? Por que tanta tristeza?
Há alguns anos uma lei federal instituiu o Ensino Fundamental de nove anos. O que eram oito séries transformou-se em nove. Criou-se mais um ano obrigatório no início da escolaridade. Agora, em vez de entrar na escola com sete anos de idade, entra-se com seis (em alguns estados brasileiros, com cinco anos, por força de artimanhas judiciais). Eram quatro séries iniciais (muito antigamente chamadas de “primário”) que se transformaram em cinco. A ideia foi boa: colocar as crianças na escola um ano antes e dar a elas a chance de aprender os conteúdos em mais tempo. Mas o que aconteceu? Muitas escolas não entenderam. Muitas professoras receberam a novidade goela abaixo sem oportunidade para o diálogo e sem tempo para adaptações. A grande maioria das alfabetizadoras foi “empurrada” para salas de aula com crianças de seis anos, só que elas não têm a formação das professoras especialistas em Educação Infantil. Não foram preparadas para criar atividades adequadas, instigantes, criativas e deliciosamente cativantes para crianças de cinco ou seis anos.  Fazem com muito carinho e dedicação o que aprenderam: alfabetizam. Introduzem as crianças no mundo da leitura e escrita com as técnicas adequadas para crianças de sete anos de idade. Em alguns casos, nem ao menos são técnicas atuais e científicas, são as que aprenderam a usar. Usam métodos que forçam as crianças a repetir ações mecânicas de baixíssimo nível de abstração.
Se em boa parte das escolas brasileiras as aulas das séries iniciais já eram massacrantes, apáticas, desmotivadoras para crianças de sete anos, imagine para as de cinco.
Logo veremos aumentado o número de crianças que não gostam de estudar, que desistem da escola, que aprendem a copiar do quadro negro e a reproduzir pensamentos e ideias alienígenas, não debatidas, num bovino movimento de aceitação passiva. Ingressarão no Ensino Médio e facilitarão o trabalho dos professores que não precisarão aprofundar nenhum conteúdo, apenas registrá-los no quadro negro de forma integral ou resumida caso o texto já tenha sido entregue de forma impressa. Depois dizemos: nosso povo não luta por seus direitos. Nunca aprendeu.
O que fazer para mudar esse quadro? Recomeçar! Precisamos urgentemente de um novo currículo para a educação básica. Parabéns ao MEC que já está fazendo isso em relação ao ENEM. Se este exame diminuir a quantidade de conteúdos cobrados nas provas fará com que as escolas do Ensino Médio (antigo segundo grau e ainda mais antigo “científico”) mudem suas aulas. Em vez de derrubar sobre os alunos particularidades insossas sobre conteúdos inúteis, haverá mais tempo para ensinar, de várias formas possíveis, o conteúdo necessário e realmente importante de cada disciplina. Da mesma forma, o ensino fundamental aproveitaria melhor suas aulas, criaria atividades diferenciadas e adequaria seus conteúdos respeitando-se a faixa etária dos alunos.
E, por favor, não joguem a responsabilidade sobre as costas das professoras alfabetizadoras de, sozinhas, recriarem o currículo e o método de ensino. É preciso um trabalho de equipe. Equipe multidisciplinar. Chamem-nas, mas chamem também os educadores, psicólogos, sociólogos, antropólogos, matemáticos, linguistas, professores de todas as áreas, pesquisadores e todos aqueles que puderem contribuir para uma escola em que seus alunos possam aprender muito e com alegria.  Crianças motivadas, felizes, cada vez mais autônomas e realizadas por perceberem diariamente que estão aprendendo e desenvolvendo-se. Crianças que possam dizer: “Aprendi coisas bem legais hoje. Foi muito divertido”.
E antes que os críticos de plantão se manifestem, quero afirmar que não defendo uma escola voltada ao prazer, tampouco superficial, mas uma escola que ajude as crianças a desenvolver autonomia de pensamento, criatividade, inteligência, conhecimento sobre o mundo e uma disposição cada vez mais positiva em relação ao ato de estudar e aprender por conta própria.
Fico feliz só por imaginar uma escola assim.
É por meio da nossa voz, a voz dos educadores comprometidos com uma educação de verdade, que mudanças efetivas (e não apenas legislativas) poderão vir a acontecer. Eu continuo acreditando!

Marcos Meier é psicólogo, professor, mestre em educação, escritor e palestrante. Contatos pelo site www.marcosmeier.com.br    



sexta-feira, 6 de abril de 2012

Lançamento do livro Mediação da Aprendizagem na Educação Especial

Se um professor tem um aluno com deficiência, o que ele precisa saber para que sua aula seja a melhor possível para esse e todos os outros alunos? 
A professora Gislaine Coimbra Budel  , uma das maiores especialistas em educação Especial, e eu escrevemos um livro delicioso que pode ser um grande auxílio para esses professores maravilhosos dessas crianças especiais. 
Em Curitiba, dia 03 de maio, será o lançamento. Venha se alegrar conosco e compartilhe desde já esse convite! Abraços