quarta-feira, 8 de maio de 2013

De repente.


DE REPENTE

(Publicado em 2008 na obra: “Sapatos e Letras”. Quase uma profecia!).

De repente a pista do aeroporto mais utilizado do Brasil não escoa mais a água da chuva, ficou, de uma hora para outra, sem sistemas de escoamento.
De repente descobriram que existem controladores de voo. E que são em número insuficiente.
De repente apareceram jovens armados, em pleno dia, e arrancaram as pessoas de dentro do carro. Menos um menino.
De repente cidadãos comuns são aterrorizados com telefonemas de sequestradores, de dentro de prisões que, calmamente, tiram nossa paz.
De repente uma marquise cai matando algumas pessoas.
De repente uma quadrilha rouba um carro e o queima com a família ainda lá dentro.
De repente traficantes invadem um colégio e agridem gravemente o diretor que tentava evitar a invasão.
De repente uma professora denunciou o tráfico na escola onde trabalha e teve sua vida ameaçada por ex-alunos seus.
De repente a safra da soja não poderá ser embarcada, nem exportada. Não pelo porto de Paranaguá, pois as águas, como pode isso, ficaram muito rasas.
De repente uma avaliação internacional sobre a qualidade da educação descobre que o ensino no Brasil é tão deficitário que há adolescentes escolarizados, mas semianalfabetos.
De repente irão descobrir que há algumas faculdades no Brasil formando advogados, médicos, engenheiros, professores, psicólogos e tantas outras profissões, sem um mínimo de qualidade nem de condições de formar profissionais adequados às exigências da profissão nem da decência. 
De repente se descobre que o Estado, em algumas escolas, é tão incompetente que é melhor garantir a entrada de seus alunos na universidade por meio de cotas.
De repente será descoberto que se a taxa de crescimento do PIB for maior que a atual, vão faltar estradas, portos, aviões, contêineres, silos de armazenagem, infraestrutura em geral.
De repente vão descobrir que em algumas cidades brasileiras o Estado não tem mais poder que um grupo de bandidos que, repentinamente adquiriram espaço.
De repente todos saberão que uma passeata com muito barulho, faixas e camisetas brancas é vista por alguns políticos apenas como “reação natural”.
De repente minha empregada falou: “Acabou o gás, o senhor pode sair para comprar outro botijão?” E aí eu estouro. Brigo; pergunto: “Por que não avisou antes, quando usou o botijão reserva? Pelamordedeus! Tem que esperar aparecer o problema para pensar em uma solução? Não dá para planejar? Não dá para pensar nas consequências e agir antecipadamente? E o pote de margarina? Precisa esperar acabar totalmente para só então pedir para comprar outro? E o detergente para lavar louça, tem que esvaziar totalmente para lembrar que precisa mais? Os pelos da vassoura caíram de uma hora para outra?”
Essa minha empregada! Quanta falta de bom senso! Ela espera o problema aparecer para correr atrás de uma solução. Não consegue agir antecipadamente. Não consegue ser pró-ativa. Acho que ela não compreende essas coisas, coitada. Não consegue planejar nada. Mas é muito querida com as crianças.
Fechem a pista. Tem dois milímetros de água nela. Rápido! Caiu uma chuva de repente.


MEIER, Marcos. Sapatos e Letras. Curitiba: Editora Melo. 2008. Disponível no site www.kapok.com.br

domingo, 5 de maio de 2013

Empresas emocionalmente inteligentes


Empresas emocionalmente inteligentes


Há empresas que poderiam crescer mais, mas não conseguem. Suas equipes são frágeis nas relações entre seus membros e por essa razão se auto boicotam.
           
Equipe “emocionalmente inteligente” é aquela em que seus membros sabem identificar, expressar e compreender suas próprias emoções e a dos outros e não misturam subjetividade com as metas da empresa, com os projetos a serem desenvolvidos.

A Inteligência emocional é muito importante nas empresas, porque uma empresa com pessoas emocionalmente inteligentes não perde tempo nem energia com competições internas, invejas, “puxadas de tapete”, fofocas ou climas negativos. Se uma equipe é composta por pessoas felizes, realizadas e com boa autoestima tem mais chance de cumprir prazos, criar, inovar, aumentar a qualidade dos produtos e processos, produzir e vender mais. Da mesma forma, se os líderes são emocionalmente maduros, ajudam a criar um clima de acolhimento, respeito e afeto, fazendo com que os colaboradores da empresa sintam vontade e alegria em participar e melhorar.

Um exemplo prático de empresa emocionalmente madura é quando um funcionário traz uma nova ideia para a chefia imediata. O chefe o elogia, leva a ideia para frente dando os créditos ao funcionário. Toda a equipe e a empresa recebem os frutos dessa atitude. Os colegas do funcionário o incentivam a continuar criando e sentem-se desafiados a criar também. Esse é o caminho que leva uma empresa a crescer e ser bem sucedida. Se os funcionários não fossem emocionalmente inteligentes, criticariam o colega chamando-o de “puxa-saco”, o chefe não levaria a ideia adiante ou, se a levasse, o faria sem dar o crédito ao funcionário. Este, por sua vez, ficaria chateado, brigaria com o chefe e todos receberiam a mensagem de que as coisas devem continuar sempre do jeito que estão para não haver prejuízos para ninguém. Triste, mas a maioria das empresas age assim. Nenhum projeto é levado adiante e tudo é feito sempre da mesma forma. Os mais antigos falam ao novo funcionário: “nem tente, aqui não valorizam novas ideias”.

Na vida pessoal, uma pessoa emocionalmente inteligente não se auto boicota. Não se prejudica por temer o novo ou desafios inéditos. Cria amizades e relacionamentos profundos, pois entende as emoções das outras pessoas. Evita magoar, mas quando magoa sabe pedir perdão. Não entra em fofocas, não guarda mágoa, rancor ou vontade de vingar-se de alguém. Enfim, sabe ser feliz.

Exemplos mais comuns de falta de inteligência emocional na empresa:

  • Fofocar ou ouvir fofocas. O ideal é dizer: “não quero ouvir isso, não nos diz respeito”.
  • Não elogiar. Um clima onde as pessoas não se elogiam, desestimula a criatividade.
  • Não aceitar elogios. Dizer “são teus olhos” é jogar fora o elogio dado com carinho. Aceite-o e agradeça! Afinal você mereceu.
  • Criticar pessoas ao invés de criticar os fatos. O ideal é dizer: “cara, ontem você não me ajudou” ao invés de criticar a pessoa dizendo: “cara, você é um folgado, não me ajudou ontem.”
  • Gritar com colegas ou subordinados. Isso é descontrole emocional.
  • Negatividade. Falar mal, reclamar constantemente, não acreditar nas pessoas, não ter esperança de crescimento ou de melhoria, evitar mudanças ou cultivar posturas oposicionistas.
  • Falta de pró-atividade. Um erro comum nas empresas que não crescem é quando um funcionário vê algo para ser feito, ou que está errado e simplesmente não faz nada, pois acredita não ser do seu setor nem de sua responsabilidade. O correto é agir imediatamente para atender bem ao cliente e à própria empresa. Depois, avisar a chefia imediata para que o responsável que deveria ter feito o que você fez saiba do ocorrido.

Dicas para exercitar a inteligência emocional:

O ideal é que cada pessoa aprenda a por em prática alguns comportamentos que podem tornar a vida mais leve:
  • Aprenda a observar as emoções de outras pessoas e converse com elas dando-lhes espaço para compartilhar.
  • Observe melhor as suas próprias emoções e fale mais sobre elas com alguém que tenha intimidade com você.
  • Perdoe quantas vezes for necessário, mas não insista em conviver com alguém que vive lhe machucando. Fuja das pessoas negativas que deixam você “pra baixo”.
  • Desenvolva uma postura mais favorável em relação às frustrações da vida. Pode chorar, pedir perdão, perdoar, mas reorganize-se, planeje como agir daqui pra frente e, largando o passado, aja positivamente.
  •  Acredite que você merece ser feliz e lute por isso.  Não se prenda às dores do passado nem cultive sentimentos de vingança pelas pessoas que já lhe traíram ou lhe machucaram na vida.
  • Dê mais tempo para que o prazer aconteça. Não corra atrás dele, corra atrás da realização, o prazer será consequência.
  • Tenha uma vida significativa para outras pessoas também, não apenas para você. Em outras palavras, envolva-se em projetos sociais, seja voluntário em alguma ONG ou dê mais tempo para tornar a vida de outras pessoas mais leve.
  • Troque DR por AP. Ou seja, pare de gastar tempo com “Discutir a Relação” e invista em “Acertar os Ponteiros”. Isso significa que você precisa decidir o que fazer daqui para frente em vez de investir toda sua energia tentando explicar (ou compreender) o passado.

 Palavra final:

Para terminar, creio que um bom “lema” para nossas vidas é:

“Invista tempo e energia para aprender a amar a si mesmo e a outras pessoas. Estar de bem com a vida e consigo mesmo torna todo o clima à sua volta mais positivo. Você, seus amigos, sua família e sua empresa saem ganhando.”

Autor: Marcos Meier


Escritor, psicólogo, mestre em educação e palestrante nacional nas áreas de relacionamento, criação de filhos e formação de professores. Um dos maiores especialistas brasileiros na teoria da Modificabilidade Estrutural Cognitiva do educador israelense Reuven Feuerstein, ou Teoria da Mediação da Aprendizagem. Autor de vários livros que estão disponíveis no site  www.kapok.com.br  Contatos pelo site: www.marcosmeier.com.br   

quarta-feira, 17 de abril de 2013

FILHO, VENHA ME BUSCAR!


Filho, venha me buscar.



Meu filho mais velho acaba de “tirar a carteira”. Está dirigindo bem, não perde uma oportunidade. “Pai, posso ir dirigindo?” já virou frase rotineira.
Sábado de manhã cheguei ao aeroporto Afonso Pena cansado, com sono, irritado pelos atrasos e liguei para casa. “Filho, venha me buscar. Acabei de chegar”.
Para minha surpresa, tivemos um diálogo mais ou menos assim:

-          Não dá pai, você não deixou os documentos do carro em casa, você esqueceu e levou junto.
-     Ah, é mesmo! Estão aqui comigo. Bem, mas venha assim mesmo, pegue o carro e passe aqui no aeroporto, vou te esperar.
-          Pai, não dá. É proibido andar sem os documentos do carro.
-         Mas não tem problema, se tiver uma blitz você me liga e eu vou até você de táxi com os documentos.
-          Nem pensar. É contra lei andar sem os documentos do carro. Venha de táxi agora.
-          É muito caro desde o aeroporto, você não vai me fazer gastar dinheiro vai?
-          Não é minha culpa. Venha de ônibus.

Fui de ônibus. No caminho, pude refletir a respeito dessa minha vacilada na educação de meu filho. A gente erra, acerta, faz o melhor que pode. Dessa vez, errei. Mas, para minha alegria, pude perceber que os princípios e os valores quando ensinados e vividos no dia-a-dia, permanecem. Os erros que a gente comete, os momentos em que não somos exemplos de vida, não chegam a estragar o longo trabalho realizado durante anos a fio.
Senti uma forte sensação de realização. Meu filho é um homem que não cede a pressões psicológicas se tais pressões estiverem contra seus princípios, contra seus valores.
Na Psicologia, sabemos que a constância da nossa relação com os filhos produz neles a qualidade emocional necessária para enfrentar a vida e suas dificuldades. É nessa interação de qualidade que auxiliamos nossos filhos a desenvolver segurança emocional, resistência a frustrações, tranqüilidade nos conflitos e, o que é principal, uma autoestima suficientemente adequada para não vacilar diante das pressões sociais, para não ficar inseguro diante dos conflitos que a vida propõe.  Autoestima saudável dá a nossos filhos a real dimensão do valor que eles têm e do potencial que está à disposição deles na hora de enfrentar novos desafios. Não uma autoestima inflada por uma visão irreal do mundo e que acaba produzindo jovens agressores. Não uma autoestima fragilizada que não lhes permite acreditar que é possível ser significativo nessa sociedade. Mas uma autoestima tão bem construída que permite que se diga: “Pai, pegue um ônibus”.
Nunca andei de ônibus tão feliz.

(Extraído do livro Sapatos e Letras  - Marcos Meier, Editora Melo. 2008)

segunda-feira, 15 de abril de 2013

FEUERSTEIN ELOGIA LIVRO DE MARCOS MEIER


Feuerstein elogia livro "Mediação da Aprendizagem"


04/05/2007
noticias.universia.com.br
Lançamento terá debate entre autores e os convidados


Na segunda-feira, 7 de maio, Marcos Meier e Sandra Garcia lançam "Mediação da Aprendizagem. Contribuições de Feuerstein e Vygotsky"na Livraria da Vila. ·s 18h45 começa um debate entre os dois autores e os especialistas Lino de Macedo e Edith Rubinstein sobre "Mediação de Aprendizagem e a educação do futuro". O debate discorrerá sobre os caminhos para a educação e a importância do professor como mediador no processo da aprendizagem: O que diferencia o mediador de um professor? De que forma ensinar os alunos para que o "aprender a aprender"não seja apenas discurso? Como desenvolver a autonomia do aluno? Como interagir com o aluno de forma a potencializar sua aprendizagem? Como incentivá-lo a colocar tudo isso em prática?
A discussão se enquadra com um dos temas que mais preocupam a sociedade nos dias de hoje: o momento em que o professor reflete seu papel num sistema educacional em transição, em que o aluno deixa de ser mero consumidor de informações para tornar-se gerador de conhecimento. De acordo com a autora Sandra Garcia, "Ensinar o aluno a desenvolver sua própria autonomia no processo de aprender-a-aprender é importante na sociedade de hoje em que há excesso de informações, escassez de conhecimento e ineficácia da estimulação do meio ambiente. Um debate como esse tem muito a oferecer ao professor na sua jornada diária em sala de aula", explica.
Na seqüência, os convidados acompanharão o lançamento do livro "Mediação da Aprendizagem", sobre o processo de mediação que resgata o real valor do professor no processo de educar, se opondo ao antigo processo de ensino-aprendizagem na transmissão de conteúdos.
Reuven Feuerstein, criador de vários métodos de avaliação cognitiva aplicados em diversos países, em carta publicada no início do livro afirma que "a pesquisa realizada pelos autores não apenas enriquece a teoria da mediação da aprendizagem, mas também sua natureza e suas aplicações práticas. Espero ansiosamente pelos efeitos benéficos que a leitura deste livro por si mesma, pode trazer", comenta.

Autores:
Sandra Regina Rezende Garcia
Mestre em Psicologia na área do Desenvolvimento Humano e Processo Ensino -Aprendizagem pela Universidade de São Marcos. Pós-graduada em Psicomotricidade no Programa de Enriquecimento Instrumental pelo Instituto Superior de Psicomotricidade e Educação - ISPE-Gã, em São Paulo. Foi Diretora do Colégio Marista N. S. da Glória. Atualmente é gestora do Programa de Formação Continuada na Rede Salesiana de Escolas-RSE. ? apaixonada pela educação e particularmente pelos processos de ensino e de aprendizagem de crianças e jovens.

Marcos Meier
Prof. Marcos Meier, Mestre em Educação pela UFPR, Prof. De Matemática pela UFPR e Psicólogo pela UTP - Universidade Tecnológica do Paraná. Trainee por Isrãl no PEI - Programa de Enriquecimento Instrumental. Formado em LPAD ? Avaliação dinâmica da propensão à aprendizagem. Foi Diretor Geral dos Colégios e Faculdades Martinus em Curitiba, PR.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Adolescente livre!


Adolescente livre!

Seu pai está muito chato pegando no seu pé por causa das suas notas? Sua mãe está insuportável por não permitir que você deixe seu quarto do jeito que você quer? Não aguenta mais ter que economizar nas mensagens de celular? Você não suporta mais ter que lavar a louça, arrumar sua cama, colocar sua roupa suja no cesto, ter que desligar o videogame porque eles acham que já está exagerando, ter que abaixar a música só porque eles acham que incomoda os vizinhos? Então livre-se deles! Arrume um emprego, alugue uma quitinete, pague seu próprio celular, pague a internet, a tevê a cabo, aluguel, comida, pague uma faxineira pra lavar sua roupa e a sua louça, e descubra, talvez tarde demais, que seu salário não vai dar nem pra metade disso, e que você vivia no paraíso e só reclamava. Então pare de ser chato, ajude sua mãe, estude pra valer, faça seu pai ter orgulho de você, desligue o videogame e vá fazer algo útil. No entanto, se você está fazendo tudo certo e seus pais estão orgulhosos de você, parabéns e siga em frente.  (Marcos Meier. Seus livos estão no site www.kapok.com.br)

segunda-feira, 11 de março de 2013

quarta-feira, 6 de março de 2013

Marcos Meier e os livros digitais

Cada aluno aprende num ritmo com os livros digitais. Como lidar com isso? Se o tablet travar em sala de aula, o que fazer? O professor terá apoio para essa nova realidade? Essas e outras perguntas serão respondidas por Marcos Meier em sua coluna "A arte de educar" no jornal Bom dia Paraná da rede Globo. — em RPC TV

segunda-feira, 4 de março de 2013

(TDNH) Transtorno de Déficit de Natação e Hidrofobia.


(TDNH) Transtorno de Déficit de Natação e Hidrofobia.

Dona Marta acabou de receber uma notícia terrível sobre seu filho, o Augusto. Ele tem TDNH - Transtorno de Déficit de Natação e Hidrofobia. É sério. A escola percebeu que todas as crianças da idade dele já sabem nadar, mas o coitado do Augusto, não. Na verdade, ele não sabe nadar e morre de medo de água, tem hidrofobia. Não quer nunca mais entrar na piscina, pois quase se afogou na última tentativa.
Por amor ao menino, a escola chamou a família e solicitou que o Augusto passasse por uma avaliação psicológica, neurológica e de desenvolvimento motor. Dona Marta, muito disposta a ajudar seu fofucho, o levou para os especialistas sugeridos pela escola. Logo veio o laudo: TDNH. Os médicos lhe prescreveram um ansiolítico para tirar o medo e um relaxante muscular para que ele pudesse soltar mais os braços e as pernas quando fosse atirado na piscina.
- Medicação é tudo de bom, faz cada milagre, não é mesmo? - Disse a professora para a mamãe.
- Espero que isso resolva, pois não aguento ver o coitado do Augustinho ficar para trás na natação. Se todas as crianças já sabem nadar e ele não, deve haver um problema sério mesmo. Ainda bem que vocês me alertaram e agora a gente pode ajudá-lo. Foi bom. Obrigada professora!
- Não foi nada, dona Marta, só fizemos o nosso trabalho, estamos aqui para ajudar.
No dia seguinte, o professor de natação jogou o Augusto no meio da piscina, para desespero do menino. Ele se debateu loucamente até que o André, seu amiguinho, o salvou.
O professor, falando com a coordenadora, disse:
- Deu pra ver que esse menino é um TDNH mesmo. Ele tem muita dificuldade no aprendizado da natação, suas limitações são gritantes em comparação ao desempenho do restante da turma. Se não fosse o André, ele ia engolir muita água até sair da piscina.
Já fora da água, o André perguntou:
- Augusto, por que você tem que tomar remédio mesmo?
- É que eu tenho TDNH, eu não consigo nadar.
- Ah. Mas alguém já te ensinou a nadar?
- Não, nunca me ensinaram. Deve ser porque eu tenho essa doença.
- Hum, deve ser. Tomara que um dia você sare né?
- Tomara. Quando eu sarar vou aprender a nadar. Aí não vou mais precisar dos remédios. Vamos tomar banho? – E os dois foram ao vestiário trocar de roupa e se preparar para a próxima aula, sem perceber a injustiça que o mundo adulto está cometendo.
Você professor, está achando tudo um absurdo? É exatamente isso que acontece com milhares de crianças todo ano em nosso país e no mundo! São diagnosticadas como TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. No entanto são crianças ativas, que gostam de correr, brincar, pular e mexer em tudo.

Texto retirado da obra Mediação da Aprendizagem na Educação Especial dos autores Gislaine Budel e Marcos Meier. Editora IBPEX 2012. Disponível no site www.kapok.com.br

domingo, 3 de março de 2013

Igreja de um crente só.


Igreja de um crente só.

Tem muita gente por aí dizendo que é cristã, mas que segue o cristianismo de um jeito particular, só seu. Até aí, não vejo grandes problemas, pelo contrário, pois Deus não tira nossa personalidade para nos fazer de vacas presepiais retardadas seguidoras de inutilidades vivenciais, mas contradizer Jesus, é outra coisa.
Se o cara afirma ser cristão e diz que o muçulmano deve morrer, que o espírita é do diabo ou que os países que perseguem os cristãos deveriam sofrer enchentes, furacões ou terremotos, não entende o princípio básico do cristianismo: amar até mesmo o inimigo.
Se o sujeito diz para um crítico: “você vai morrer no inferno”, não entendeu nada sobre o perdão que o próprio Cristo ordena.
Se o cristão se deixa enganar por pastores corruptos que dizem “pague isso ou aquilo para entrar no céu”, não entendeu que a vida eterna é de graça, presente divino.
E por último: se alguém afirma ser cristão e julga as outras pessoas condenando-as por suas ideias ou comportamentos, nem menos leu o texto “não julgueis para não serdes julgados”. Afastar-se em silêncio, é também uma forma de julgar. Não querer nem conhecer uma pessoa que pensa diferente, também é.
Assim, é melhor aprender a amar, pois: “ame a teu próximo como a ti mesmo”  e “amai-vos uns aos outros, como eu vos amei” é toda a essência de quem devemos ser e de como devemos agir.
Portanto, se alguém diz ser cristão, tá na hora de por em prática pelos menos os princípios básicos do cristianismo, senão vai fazer parte de uma igreja que não é de nenhuma denominação, mas a sua própria. Uma igreja de um crente só.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

NÃO SEJA ULTRACREPIDÁRIO

Não seja ultracrepidário.

Ou:  “Sapateiro, não vá além das sandálias.”

O escritor latino Plínio (o Velho) conta que havia na Grécia no século IV AC um pintor chamado Apeles que usava um artifício muito interessante para melhorar suas obras. Quando seus quadros estavam prontos, Apeles os expunha em frente ao seu ateliê para que os passantes pudessem observá-los e criticá-los. De posse dos comentários, o pintor podia melhorar ou até consertar algum erro que pudesse haver.

Certo dia, observou um homem parado em frente a um dos quadros. Apeles, saindo de seu esconderijo, perguntou-lhe a razão de tanta curiosidade. O homem então lhe disse que era um sapateiro e que, por conhecer seu ofício, percebeu um erro na sandália ali retratada. O pintor agradeceu e disse que consertaria o erro. Tendo percebido que o pintor acolhera sua crítica, ousou ir adiante criticando outros detalhes do quadro. Nesse momento o pintor barrou sua impulsividade dizendo: “ne sutor ultra crepidam”, ou seja, “sapateiro, não vá além das sandálias”. (Em português atual, diríamos: não seja ultracrepidário)

Há muitos profissionais intrometendo-se nas especialidades de outros. Médicos opinando sobre educação de filhos, artistas teorizando sobre filosofia, jogadores de futebol dando entrevistas sobre relacionamentos, mamães tentando ensinar como educadores devem fazer uma avaliação e professores fazendo diagnósticos de neurologistas ou de psiquiatras. Chega!

Quando a “boa vontade em ajudar” entra no lugar da opinião especializada, muitos erros podem acontecer e muitas informações superficiais são tomadas como científicas.

Quando pessoas de muita boa vontade, mas sem conhecer a profundidade dos fatos que envolvem sua vida, começam a lhe julgar ou opinar sobre o caminho que você deveria seguir, não diga: “não se meta”, pois pode soar muito grosseiro. Diga apenas:  “não seja ultracrepidário”. E se a pessoa não entender, diga-lhe para pesquisar no google. Com certeza cairá aqui.

Essa e outras reflexões você pode encontrar no livro “Mediação da aprendizagem na educação especial” dos autores Gislaine Budel e Marcos Meier. Disponível no site www.kapok.com.br

sábado, 15 de dezembro de 2012

DISCURSO DE MARCOS MEIER COMO CIDADÃO HONORÁRIO DE CURITIBA.


Boa noite!
Quero iniciar minha fala cumprimentando a excelentíssima sra. Noêmia Rocha presidente desta mesa, o vereador Jair César proponente dessa titulação e a todas autoridades aqui presentes, já nomeadas.
Em especial agradeço a presença de todos vocês que vieram me honrar com sua companhia. Essa noite só é linda porque você está aqui.

Me orientaram a ser breve, e apesar disso ser uma tortura pra mim, vou ser. Vou fazer o máximo para cumprir o prazo. Escrevi esse discurso no dia 12 de 12 de 2012 e tem aproximadamente 12 minutos. E isso não tem nada a ver com o fim do mundo. (Coisas de matemático).

Vou contar-lhes uma pequena história vivida por meu avô, o vovô José, pai da Jane, minha mãe coruja que a vida toda me apoiou e torceu pelo meu sucesso como pessoa e como profissional. (Obrigado mãe).
Meu avô tocava violino na igreja luterana da cidade de Imbituva, interior do Paraná. Por mais de 30 anos nunca faltou a nenhum dos cultos e a nenhum dos ensaios. Para homenagear tal atitude e disposição, a comunidade da época resolveu presenteá-lo com um corte de terno. Era um presente caríssimo, de muito bom gosto e que, com certeza, seria recebido como honra pelo “seu José”. Mas a surpresa foi grande. No dia seguinte à homenagem, meu avô foi até a loja, pesquisou o preço, e na próxima reunião devolveu cada centavo à comunidade. Disse:

- Que esse dinheiro seja melhor usado para as crianças pobres ou para outras necessidades que a igreja possa ter. Não aceito essa recompensa, pois nunca toquei violino para vocês, foi para Deus. E se vocês me recompensarem agora, que recompensa terei eu no céu?

Agradeceu o carinho das pessoas, mas devolveu o presente. Não aceitou a honra.
Muitas pessoas não entenderam, algumas acharam que ele era um arrogante, um mal-agradecido. Outras compreenderam a profundidade do gesto. Nosso trabalho deve ser para Deus, para o bem comum, para a sociedade, para diminuir a miséria da existência humana e não para nossa honra ou nossa glória. Não para nós mesmos. Então, caros vereadores e cara plateia, quero lhes dizer que hoje, nesse momento especial em que desejam me outorgar o título de cidadão honorário de Curitiba, eu, lembrando do  meu avô, digo que: ... aceito de coração aberto e grato essa honra e que nem tudo o que nosso avô faz a gente tem que fazer igual. Não vou devolver esse presente, não!
Na verdade, o ensinamento que ele deixou eu tenho tentado seguir: fazer tudo como se fosse para Deus e não para nós mesmos.

Tenho em meu trabalho tentado simplificar os conceitos teóricos da educação e da psicologia para que pessoas de todas as formações e até aquelas que nenhuma formação têm, possam aprender e melhorar a interação com as crianças, com os estudantes, e uns com os outros. Não é tarefa fácil, mas faço com o coração feliz e realizado por saber que, como meu avô, posso trabalhar sem pensar na recompensa terrena, mas me alegrar com o crescimento das pessoas nas mais diferentes cidades de nosso país, especialmente em Curitiba.
Sou grato também a meu avô paterno que decidiu morar em Rolândia, onde nasci tempos depois. Ainda criança moramos em cidades do interior do Paraná como Japurá, Cianorte, São Tomé e Imbituva de onde saí com dez anos de idade para vir para a capital que me acolheu e me deu as oportunidades para meu crescimento profissional.

Agradeço a todas as pessoas que direta ou indiretamente me ajudaram, incentivaram e me apoiaram. Tive meus vales e montanhas, como a Gilgreice cantou e que mesmo neles a presença divina me confortava.

Iniciei como professor de Matemática e nas aulas da licenciatura perguntava:   “professor, por que os alunos amam matemática enquanto outros odeiam?”    E a resposta que ouvi foi: “amor e ódio é da psicologia, não da matemática”.
Fiz psicologia. Lá, os professores me diziam: “gostar de aprender matemática é do campo da educação, não da psicologia”.
Fiz mestrado em educação. Perguntei: “Por que alguns amam matemática e outros odeiam? Os professores de matemática disseram que a psicologia responderia, os psicólogos disseram que os educadores responderiam, então pergunto a vocês o porquê.”  Os professores do mestrado me disseram: “boa pergunta”! Tive que tirar minhas próprias conclusões. E uma delas é a de que o professor que sabe ser amigo, que exerce sua autoridade com acolhimento e justiça, que sabe rir dos próprios erros, e é bem humorado, que ama o que faz, esse ajuda o aluno a amar o que é ensinado. O mesmo acontece com os pais em relação a seus filhos. O contrário afasta.

Tenho tentado ajudar as pessoas a amarem o conhecimento, os princípios de educação, a respeitar a filosofia e a ética, a buscar a sabedoria. Tenho tentado ajuda-las a aprender a aprender. E quando não mais precisarem dos meus ensinamentos, é porque se tornaram autônomos, independentes e terei me tornado dispensável. Quando olho para meus filhos e vejo o quanto já não mais dependem de mim, o quanto pensam por suas próprias cabeças, fico feliz por ter cumprido meu papel. E mais feliz ainda por ver que tipo de homens e que tipo de mulher se tornaram. Martin e David, obrigado por terem feito minha vida de pai ter valido a pena. A Rebecca, que está longe, em trabalho social numa missão internacional, também me faz relembrar que pessoas valem mais que coisas, que a vida vale mais que dinheiro e que tudo isso pode sim ser colocado em prática como ela está fazendo.
Mas nem tudo é tão bonito e nem tudo é tão aparentemente perfeito. Sofri muito para acreditar que um dia eu pudesse ser alguém, que poderia ajudar outras pessoas ou que minha vida pudesse ser útil para quem quer que fosse. Na escola, antes do bullying ser conhecido por esse nome, eu era chamado diariamente de “pau de catar laranja, espanador de lua, urubu branco, perna de vela”  e mil outros xingamentos constantes que me traziam dor e ideias suicidas. A vida não tinha graça e era pesada demais para mim. Não é fácil ser adolescente, mas mais difícil ainda é ser adolescente muito alto, muito magro, muito branco e muito burro pra acreditar que isso fosse importante. Por sorte, eu tinha irmãos que me amavam, (Jeff, John, Audrey e Kennedy – como vocês podem ver, minha mãe gostava muito de ir ao cinema)  mãe, tia e avó que me bajulavam, me valorizavam e eu comecei a duvidar dos xingamentos. Comecei a acreditar que talvez eu pudesse dar certo na vida. Meu pai me falava: “você nunca vai me dar problema na escola, vai passar direto, dá pra ver”. E eu acreditei.
Nos últimos anos tive ajuda de algumas pessoas especiais a quem também sou grato como a Márcia Macionk e David Sasson que me abriram as portas para entender Feuerstein e a mediação da aprendizagem, o jornalista José Wille que me abriu as primeiras portas na mídia, a Adriana Karan do colégio OPET que me contratou pela primeira vez como professor, o Odilon Scroccaro que me contratou no colégio Santa Maria que investiu em minha formação profissional, a psicopedagoga Isabel Parolin que sabendo do meu dom para falar em público me apresentou ao Marcos Melo da Futuro Eventos onde estou até hoje palestrando. Há muitas outras pessoas que direta ou indiretamente foram importantes para mim, mas que não tenho tempo para nomeá-las agora. Mesmo assim, sou grato a elas.
Hoje estou aqui com uma carga enorme de histórias de sucesso, de fracasso, de alegrias, de tristezas e de realizações. E quando eu estava sobrecarregado, caminhando para uma estagnação pessoal, imerso numa solidão profunda que a vida me trouxe, veio a Jeanine Rolim, hoje minha noiva, e ficou ao meu lado. Ela me reapresentou para o Marcos neto do vovô José, filho da dona Jane, pai do Martin, da Rebecca e do David. Reapresentou-me para mim mesmo e me fez relembrar que posso me realizar sem culpa em aparecer na TV ou no rádio para ensinar sem medo de parecer orgulhoso, arrogante ou prepotente, pois sei que a honra e a glória não são méritos meus, são de Jesus. E que reconhecer que sou importante na vida das pessoas não é ser metido, estrela ou celebridade, é cumprir a missão para a qual todos nós viemos. E por isso posso dizer do fundo do meu coração:
Curitiba, obrigado pelo carinho de me adotar como um de seus filhos e a todos vocês, do fundo do meu coração, muito obrigado!

Discurso de Marcos Meier na sessão especial da Câmara dos vereadores de Curitiba para outorga do título de cidadão honorário no dia 13 de dezembro de 2012, às 20h00 nas dependências da própria instituição.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

COMO FAZER CRIANÇA COMER VERDURAS


Marcos Meier em sua coluna semanal "A arte de educar" no jornal Bom dia Paraná da RPC-TV afiliada da rede Globo. O tema é "como fazer seu filho comer verduras". Dar chocolate como prêmio resolve? Como comer frutas? O que é um prato saudável? Tem que obrigar a criança a comer?  Contatos pelo site www.marcosmeier.com.br