segunda-feira, 11 de maio de 2015

O menino perdido.


O menino perdido.

Um menino perdido, chorava pela mãe no saguão do aeroporto. Um grupo de psicólogas e terapeutas o encontrou.
A psicanalítica disse: Venha comigo, vamos lá fora para eu poder fumar enquanto você me fala sobre as primeiras lembranças que tem de sua mãe.
A da linha Gestalt-terapia: Agora nesse momento a figura é a mãe, mas logo o fundo será mais relevante. Concentre-se em outra coisa aqui-e-agora que seu problema não terá mais tanta importância.
A psicoterapeuta analítica, de Jung: Menino, no nosso inconsciente coletivo a figura da mãe é muito importante, mas podemos ressignificá-la concentrando-nos nas outras pessoas de sua família.
A terapeuta cognitivo comportamental disse: Você tem todo o direito de chorar, seu sentimento é válido, mas pode estar havendo uma distorção cognitiva. Vou lhe dar um questionário para você preencher sobre seus sentimentos mais significativos atualmente.
A psicodramatista: Querido, faça de conta que sou sua mãe. O que você diria para mim agora?
A da psicoterapia breve: Vamos focar no problema atual. Você está perdido e não sabe onde sua mãe está. Fale mais sobre isso.
A hipnoterapeuta: Vou te hipnotizar para que você se lembre das últimas palavras que sua mãe  disse antes de você se perder.
A da PNL – programação neuro-linguística: Menino, fale várias vezes para você mesmo: “Não estou perdido. Não estou perdido.”
A da terapia psicodinâmica: Vamos direto ao assunto: sua mãe lhe faz muita falta?
A do aconselhamento terapêutico: Sabe rapazinho, você não deveria ter soltado a mão de sua mãe. Fica como aprendizado para a vida.
A da psicoterapia corporal: Seus conteúdos inconscientes precisam achar uma forma de se manifestar, vamos liberar um pouco a tensão que você está sentindo nos seus ombros para que seus segredos silenciosos sejam libertos.
A Lacaniana: Fale livremente tudo o que estiver associado à palavra “mãe”. Não reprima nenhuma palavra, é muito importante que a associação seja livre.
A Psicopedagoga: Menininho, vamos fazer uma liçãozinha agora: desenhe pra mim a sua família inteira, a mãe junto.
A Reichiniana: Vamos trabalhar suas couraças para liberar sua energia orgônica. Isso vai fazer com que você manifeste com mais liberdade seu choro pela mãe.

Enquanto falavam, uma faxineira disse ao menino: “Vem cá menino. Vamos chamar sua mãe no sistema de som.” E foram embora.
Como disse Freud: “Às vezes um charuto é apenas um charuto”.

Prof. Pan Cada.


Um comentário:

Laila de Laguiche disse...

Menos é mais!!! Adorei!