segunda-feira, 4 de março de 2013

(TDNH) Transtorno de Déficit de Natação e Hidrofobia.


(TDNH) Transtorno de Déficit de Natação e Hidrofobia.

Dona Marta acabou de receber uma notícia terrível sobre seu filho, o Augusto. Ele tem TDNH - Transtorno de Déficit de Natação e Hidrofobia. É sério. A escola percebeu que todas as crianças da idade dele já sabem nadar, mas o coitado do Augusto, não. Na verdade, ele não sabe nadar e morre de medo de água, tem hidrofobia. Não quer nunca mais entrar na piscina, pois quase se afogou na última tentativa.
Por amor ao menino, a escola chamou a família e solicitou que o Augusto passasse por uma avaliação psicológica, neurológica e de desenvolvimento motor. Dona Marta, muito disposta a ajudar seu fofucho, o levou para os especialistas sugeridos pela escola. Logo veio o laudo: TDNH. Os médicos lhe prescreveram um ansiolítico para tirar o medo e um relaxante muscular para que ele pudesse soltar mais os braços e as pernas quando fosse atirado na piscina.
- Medicação é tudo de bom, faz cada milagre, não é mesmo? - Disse a professora para a mamãe.
- Espero que isso resolva, pois não aguento ver o coitado do Augustinho ficar para trás na natação. Se todas as crianças já sabem nadar e ele não, deve haver um problema sério mesmo. Ainda bem que vocês me alertaram e agora a gente pode ajudá-lo. Foi bom. Obrigada professora!
- Não foi nada, dona Marta, só fizemos o nosso trabalho, estamos aqui para ajudar.
No dia seguinte, o professor de natação jogou o Augusto no meio da piscina, para desespero do menino. Ele se debateu loucamente até que o André, seu amiguinho, o salvou.
O professor, falando com a coordenadora, disse:
- Deu pra ver que esse menino é um TDNH mesmo. Ele tem muita dificuldade no aprendizado da natação, suas limitações são gritantes em comparação ao desempenho do restante da turma. Se não fosse o André, ele ia engolir muita água até sair da piscina.
Já fora da água, o André perguntou:
- Augusto, por que você tem que tomar remédio mesmo?
- É que eu tenho TDNH, eu não consigo nadar.
- Ah. Mas alguém já te ensinou a nadar?
- Não, nunca me ensinaram. Deve ser porque eu tenho essa doença.
- Hum, deve ser. Tomara que um dia você sare né?
- Tomara. Quando eu sarar vou aprender a nadar. Aí não vou mais precisar dos remédios. Vamos tomar banho? – E os dois foram ao vestiário trocar de roupa e se preparar para a próxima aula, sem perceber a injustiça que o mundo adulto está cometendo.
Você professor, está achando tudo um absurdo? É exatamente isso que acontece com milhares de crianças todo ano em nosso país e no mundo! São diagnosticadas como TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. No entanto são crianças ativas, que gostam de correr, brincar, pular e mexer em tudo.

Texto retirado da obra Mediação da Aprendizagem na Educação Especial dos autores Gislaine Budel e Marcos Meier. Editora IBPEX 2012. Disponível no site www.kapok.com.br

Um comentário:

Cristina Sardi disse...

Quando minha filha tinha uns 6 anos levei-a numa neurologista pois queria um encaminhamento para psicologa (exigencia do plano de saude passar primeiro por medico). 'Descrevi' todos os "terriveis problemas":ela não me obedece prontamente, ela pula, corre, mexe, remexe... Por fim a medica perguntou qual tarja preta ela tomava...PERAI, ELA NÃO TOMA????? Então vai tomar um dos mais fortes e mais potentes.
Conclusão fui para casa arrependida de ter exposto minha filha a esses comentários ridiculos e claro rasguei a tal receita. Para ela disse que esquecesse o que a 'mulher' tinha falado pq afinal, ela não sabia o que estava dizendo. Hoje minha filha tem 11 anos, é inteligente, querida, feliz e melhor SEM REMEDIOS.